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caracterização ambiental por percepção

O olhar dos grupos forma o retrato ambiental dos municípios  a partir dos rios que servem as cidades. A soma desses olhares revela

a situação da bacia de acordo

com a visão da comunidade.

 

Além de observar e monitorar a qualidade da água dos rios e córregos os grupos utilizaram a mesma metodologia para "olhar" o ambiente em que vivem.

 

Entrevistam pessoas ligadas à área ambiental, lideranças comunitárias, autoridades e cidadãos comuns. As entrevistas servem de subsídios para identificação dos aspectos positivos e negativos de cada município, com relação ao meio ambiente, respeitando, sem intervenções, a percepção desses moradores.

 

Como os municípios trabalhados têm características muito diferentes, cabe a cada grupo a determinação das pessoas que serão entrevistadas, sem preocupação com um limite de questionários a serem aplicados. Os resultados são tabulados e os grupos checam se os problemas apontados correspondiam à realidade.

 

Na avaliação de uma de uma monitora que aplicou essa metodologia em algumas sub-bacias com cidades de pequeno e médio porte, "as pessoas não se enxergam como realmente são no espelho. Cada um constrói uma imagem de si. Só percebemos que estamos gordos, ou muito magros, quando nos vemos em fotos, ou vídeos e aí tomamos o maior susto... Com o meio ambiente é a mesma coisa. Porque moramos no interior pensamos que temos uma boa qualidade de vida e não é bem assim".

 

Segundo depoimento de um integrante de grupo de monitoramento "a postura das pessoas é parecida com aquela da dona de casa que varre o chão e esconde a sujeira de baixo do tapete". Sejam essas, ou não, as leituras resultantes da observação feita por todos os grupos, o que fica claro é que a maioria das pessoas não percebe os problemas ambientais do seu município, sem orientação.

 

Essa situação muda nas cidades onde há influência da televisão, de jornais e rádios locais ou regionais, que divulgam ações das entidades ambientalistas, ou de autoridades do Estado, como polícia florestal, Ibama, órgãos de controle e do Ministério Público.

 

A imprensa ajuda muito na informação e difusão dos problemas ambientais e de seus causadores, além de auxiliar a comunidade a identificar a quem recorrer em casos de danos ou poluição. Outro fator fundamental é o engajamento das escolas públicas, ou privadas, com a educação ambiental. Os estudantes passam a ser formadores de opinião e disseminam o que trabalham nas escolas em suas famílias e círculos de amizade.


 
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