Núcleo
Pró-Tietê

 

Participe das nossas ações como agente ambiental

 

 

Núcleo União Pró Tietê

Uma enchente mudou São Paulo.

            Tudo começou com as ondas da Rádio Eldorado, que lançaram no ar um programa produzido em conjunto com a BBC de Londres, realizado simultaneamente em dois países, por dois repórteres. Um, na Inglaterra, navegava no “despoluído” Rio Tâmisa e o outro, aqui no degradado Rio Tietê. Trocaram impressões ao vivo e, certamente sem saber, mexeram fundo com um sentimento adormecido no interior de milhares de ouvintes que acompanhavam atentamente a matéria.

            A reação foi impressionante. Uma enxurrada de telefonemas, telegramas e cartas inundou a emissora. Eram idéias, projetos, manifestações de apoio e ofertas de todo o tipo, que demonstravam que o sonho de ressuscitar o Tietê estava mais vivo do que nunca e que muita gente estava disposta a trabalhar por isso.

            Diante da receptividade, a Eldorado não deixou a água parar. Abriu seus microfones para todos os que tivessem algo a dizer para salvar o Tietê e o resultado foi uma maré crescente de entusiasmo e mobilização.

            Para canalizar esta energia social de transformação, a Fundação SOS Mata Atlântica criou o Núcleo União Pró-Tietê, com patrocínio do Unibanco Ecologia. Sua meta inicial:  tornar concreta a vontade da população através da coleta de um milhão de assinaturas. O maior abaixo-assinado já realizado no país.

            A meta foi superada em duzentas mil assinaturas e a história do Tietê começou a mudar.

            A despoluição, antes considerada impossível, passou a ser viável. O dinheiro que não havia começou a aparecer. O Governo antes desinteressado assumiu o desafio como prioridade.

            O resultado foi fantástico. Em tempo recorde a sociedade organizada criou condições para o início da recuperação do Tietê e rompeu com a história de décadas de degradação irresponsável.

            Isso tudo foi apenas o começo. Foi preciso que o Estado contratasse um grande projeto que possibilitasse a implantação de várias obras. Porém, não podíamos permitir que essa fosse mais uma mega-obra desconectada de diversas ações sociais, ambientais e políticas, como muitas outras que não trouxeram resultados positivos.

Lutamos muito para romper com as enormes barreiras que impediam o acesso da sociedade às informações sobre as obras, cronogramas e investimentos do projeto. Persistimos, a fim de vencer o desafio de levar as pessoas compreender que a despoluição desse rio não é obra de um governo, é uma ação de cidadania, de longo prazo.

Muitas obras foram concluídas, vencemos etapas difíceis, mas todo esse percurso ainda é pouco diante da dimensão do problema. Muita água ainda terá que rolar para que o sonho de recuperar o rio Tietê se realize completamente.

            O Tietê que temos hoje, em diversos quilômetros e sub-bacias, ainda poluído, contaminado, assoreado e com margens desmatadas e impermeabilizadas, é o resultado do distanciamento das pessoas que deixaram de se relacionar com o rio e fugiram do seu papel de co-responsáveis pela sua conservação.

            Para recuperar definitivamente o Tietê é necessário, antes, recuperar a capacidade da sociedade de entender o rio, redescobrir seus encantos, sua importância, conhecer seus problemas e buscar soluções de forma integrada.

            Diante desse desafio, idealizamos e implementamos o “Observando o Tietê”, um projeto dedicado à educação ambiental não formal que tem o objetivo de fazer com que as pessoas voltem a olhar permanentemente para o rio, para que possamos resgatar parte da nossa cultura esvaecida com a poluição. Dessa forma mantemos a sociedade mobilizada, colaboramos com o aumento do conhecimento sobre o rio e criamos mecanismos para que a população faça o acompanhamento direto e permanente e participe de forma ativa do processo de recuperação.

            Recuperação essa, que não será obra de um governo. Trata-se de um processo longo, que necessariamente superará o restrito período de mandatos, entre eleições e sucessões de governadores e gestores políticos.

            A recuperação do Tietê será obra da sociedade, se todos nós fizermos disso uma prioridade.

 

 

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 Ilustrações Beth Kok  Desenvolvimento AR Gestão Ambiental Solução  Estúdio Girassol