No
final do século XVI as várzeas do Tamanduateí e do Tietê
reuniam inúmeras lavadeiras, geralmente escravas negras ou
mamelucas de famílias pobres que cuidavam das roupas do
paulistano. Dificilmente se via nessa tarefa uma mulher branca.
Apenas a partir do século XIX com a chegada dos imigrantes é
que as várzeas e rios de São Paulo passaram a contar com a
presença de mulheres de diversos grupos sociais.
Alguns poetas e historiadores
descrevem cenas do cotidiano paulista, ao amanhecer, quando
romarias de lavadeiras percorriam a antiga Estrada da Penha,
atual Rangel Pestana e as ladeiras da General Carneiro e do
Carmo, com trouxas nas cabeças repletas de roupas sujas para
serem lavadas nos afluentes do Tamanduateí.Desde aquela
época, no período de estiagem, já havia disputa pelas águas
das várzeas e explodiam brigas entre o grande número de
lavadeiras. Foi desse cenário que a expressão "briga de
lavadeira" se originou. Ainda hoje quando ouvimos dizer que
uma discussão sem importância é "conversa de
lavadeira", não nos damos conta de que essas e outras
expressões se originaram de fatos reais do passado. |