Educação Ambiental
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educação ambiental para gestão em recursos hídricos da Fundação SOS Mata
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Rede Paulista de Educação Ambiental - Repea |
Educação Ambiental e
Cidadania
Trecho do artigo de Pedro
Jacobi* para o I Congresso Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas (SP)
...A Educação
Ambiental representa um instrumento essencial para superar os atuais impasses da
nossa sociedade.
A relação entre
meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais
desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos
sociais que se tornam cada vez mais complexos e riscos ambientais que se
intensificam.
As políticas
ambientais e os programas educacionais relacionados à conscientização sobre a
crise ambiental demandam cada vez mais novos enfoques integradores de uma
realidade contraditória e geradora de desigualdades que transcendem a mera
aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis.
O desafio que se
coloca é de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em
dois níveis – formal e não-formal. Assim, a educação ambiental deve ser acima de
tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve
buscar uma perspectiva de ação holística que relaciona o homem, a natureza e o
universo, tomando como referência que os recursos naturais se esgotam e que o
principal responsável pela sua degradação é o homem.
Quando nos
referimos à educação ambiental, a situamos num contexto mais amplo, o da
educação para a cidadania, configurando-se como elemento determinante para
consolidar a conceito de sujeito cidadão. O desafio de fortalecer a cidadania
para a população como um todo, e não para um grupo restrito, se concretiza a
partir da possibilidade de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres, e se
converter, portanto, em ator co-responsável pela defesa da qualidade de vida.
O principal eixo
de atuação da educação ambiental deve buscar, acima de tudo, a solidariedade, a
igualdade e o respeito à diferença, através de formas democráticas de atuação
baseadas em práticas interativas e dialógicas. Isso se consubstancia no objetivo
de criar novas atitudes e comportamentos em face do consumo na nossa sociedade e
de estimular a mudança de valores individuais e coletivos.
Mas como
relacionar a educação ambiental com a cidadania? Cidadania tem a ver com
pertencer a uma coletividade e criar identidade com ela. A educação ambiental,
como formação e exercício de cidadania, tem a ver com uma nova forma de encarar
a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros
valores morais e uma forma diferente de ver o mundo e os homens.
A educação
ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que
valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência
local e planetária.
E o que tem sido
feito em termos de educação ambiental? A grande maioria das atividades são
feitas dentro de uma modalidade formal. Os temas predominantes são: lixo,
proteção do verde, uso e degradação dos mananciais, ações para conscientizar a
população em relação à poluição do ar.
A educação
ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversificada e é ainda
muito restrita à presença dos órgãos governamentais, como articuladores,
coordenadores e promotores de ações ambientais.
O grande salto
de qualidade tem sido dado pelas ONG e organizações comunitárias, que têm
desenvolvido ações não-formais centradas principalmente em ações com a população
infantil e juvenil.
A lista de ações
é interminável, e essas referências são indicativas de práticas inovadoras
centradas na preocupação de incrementar a co-responsabilidade das pessoas em
todas as faixas etárias e grupos sociais quanto à importância de formar cidadãos
cada vez mais comprometidos com a defesa da vida.
A educação para
a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para
que transformem as diversas formas de participação em potenciais caminhos de
dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade,
baseada na educação para a participação.
O complexo
processo de construção da cidadania no Brasil, num contexto de agudização das
desigualdades, é perpassado por um conjunto de questões que necessariamente
implicam a superação das bases constitutivas das formas de dominação e de uma
cultura política baseada na tutela.
O desafio da
construção de uma cidadania ativa se configura como elemento determinante para
constituir e fortalecer sujeitos cidadãos que, portadores de direitos e deveres,
assumam a importante missão de abrir novos espaços de participação.
A administração
dos riscos socioambientais coloca cada vez mais a necessidade de ampliar o
envolvimento público através de iniciativas que possibilitem um aumento do nível
de consciência ambiental dos moradores, garantindo a informação e a consolidação
institucional de canais abertos para a participação numa perspectiva pluralista.
A educação
ambiental deve reforçar de forma crescente a “agenda marrom”, enfatizando os
problemas ambientais que decorrem da desordem e degradação da qualidade de vida
nas cidades.
Uma vez que se
observa que é cada vez mais difícil manter a qualidade de vida nas cidades, é
preciso fortalecer a importância de garantir padrões ambientais adequados e
estimular uma crescente consciência ambiental, centrada no exercício da
cidadania e na reformulação de valores éticos e morais, individuais e coletivos,
numa perspectiva orientada para o desenvolvimento sustentável.
A educação
ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está relacionada com uma
nova forma da relação homem/natureza.
Nesse sentido, a
dimensão cotidiana da educação ambiental leva a pensá-la como somatório de
práticas e, conseqüentemente, a entendê-la na dimensão de sua potencial
generalização para o conjunto da sociedade.
Entende-se que
essa generalização de práticas ambientais só será possível se estiver inserida
no contexto de valores sociais, mesmo que se refira a mudanças de hábitos
cotidianos.
A problemática
socioambiental, ao questionar ideologias teóricas e práticas, propõe a
participação democrática da sociedade na gestão dos seus recursos atuais e
potenciais, assim como no processo de tomada de decisões para a escolha de novos
estilos de vida e a construção de futuros possíveis, da ótica da
sustentabilidade ecológica e da eqüidade social.
Torna-se cada
vez mais necessário consolidar novos paradigmas educacionais para iluminar a
realidade desde outros ângulos, e isso supõe a formulação de novos objetos de
referência conceituais e, principalmente, a transformação de atitudes.
Um dos grandes
desafios é ampliar a dinâmica interativa entre a população e o poder público,
uma vez que isso pode potencializar uma crescente e necessária articulação com
os governos locais, notadamente no que se refere ao desenvolvimento de práticas
preventivas no plano ambiental.
Pedro Jacob é Professor Associado da Faculdade de Educação da USP
e do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental da USP
Atualização - Rede das Águas Fase II - 01/2004 - apoio Fehidro
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